Quando sabe-se menos.

A partir do momento em que a significação surge nas palavras de um texto, na exata precisão de ideia, nasce a sabedoria. A leitura, a elucidação e a compreensão provocam a emancipação da sabedoria alheia. Trata-se então da sabedoria íntima que se subtrai, uma concepção pessoal que acaba de ser preenchida por outro, uma possibilidade de vislumbre inédito que se anula, desaparece. Então, quando isso ocorre, estamos a saber menos do que o nosso egoísmo idealizou.



terça-feira, 21 de setembro de 2010

Autorretrato

Há mais de 60 dias que não lhe digo bom dia ou boa noite, confesso que isto faz falta aos meus dias. Passo os dias distante, esperendo sua benção para uma vida surgida, em vão. Para os que tentam meu silêncio mudar peço desculpas, mas o improvável merece a condição de impossível nos caminhos que aparecem.
Em minha conquistas recentes respeito a euforia alheia. Me calo ao perceber que não há para quem dedicar meus feitos, os efeitos destacam apenas minha solidão estampada. São das aprovações que me envergonho. São das provações que tento me esquivar.
Sem a necessidade de palavras brandas, busquei, por toda a vida, sua aprovação imediatada. Remediava meus atos na esperança que percebesse minhas benfeitorias, notasse meus reparos, tirasse pra si um bom exemplo. Tarde demais ou, para nós, nunca.
Minhas atitudes servem agora pra moldar meu autorretrato, sem suas vias complexas de comparação que tanto alimentaram meus sonhos e conquistas. Vago só na condição de existir, não serei o que esperam por não ter de quem esperar.
Mereço o destino retorcido por me achar, antigamente, capaz de ser sozinho, ser íntimo de meus atos, ser coerente aos meus pensamentos. Me calo por entender que o hoje é ainda, que o amanhã pode ser apenas o exemplo de um tempo que nunca chega. Mereço o castigo do tempo para não me perpetuar em fixos ideiais, mereço o fim que não chega até que eu me acostume ao sentido de tudo isso.
Viverei o que será de meus dias sem a competência destinada aos sanguíneos, aos familiares que partem sem dizer adeus, bom dia, boa noite.

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